terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

trem das onze e meia





por conta
de um desvio
na minha rota natural
tenho parado
muitas vezes
na mesma estação
de onde
um trem vermelho
me leva pelo braço
a seguir o mesmo
sempre traço
cujo destino final
ninguém deseja
chegar primeiro


nesse terminal
onde tudo
é passageiro


perto de completar 18 meses de hemodiálise, e, naturalmente, convivendo com diversas realidades, posso afirmar que formamos uma família. e numa família unida pela dificuldade, pero sem perder a alegria jamais; onde todos são pacientes terminais, é inevitável conviver com as dores, com as perdas. este poema nasceu quando me senti “terminal” de fato. dedico ao nosso querido Amadeu.

12 comentários:

Cristina Loureiro dos Santos disse...

Fico até sem palavras... É muito tocante.
Beijos.

octavio roggiero neto disse...

a vida por um fio, um frio nas espinhas, um homem que marcha
ao corredor sem volta, escrevendo nas paredes de silêncio um testemunho, desenhando nuvens no clautro, sem perder a novidade, o amor que se redescobre nos vãos insondáveis das circunstâncias, do que há de vir, do que já era talvez pra sempre. sem dúvida. linhas imaginárias de um trem que vem, singrando o vento, com seu farol cegante. mas enquanto não chega na gare, ficamos por um instante, a contemplar... vês aquele pensamento distante? quanta paisagem dentro desta paisagem... a Poesia reinventa horizontes. que doce e cruel exercício de força e loucura! marchemos, irmão.

J. disse...

Sua delicadeza me impressiona. Você é um presente para o mundo!

Sandra Regina de Souza disse...

tudo é infinitamente passageiro... e dói.
bjo

evandro mezadri disse...

Muito legal sua poesia, e admiro sua força demonstrada perante aos problemas que está passando.
Siga em frente, um dia de cada vez.
Grande abraço, sucesso!

Alex Pinheiro disse...

Poucas pessoas não terminam de fato,,, você é uma delas.

O mundo é dividido entre os que vivem o fio e os que vivem ignorando o fio.

Bóra guerreiro! "Tâmo junto!"

Abraços e doloridas invenções!

Cynthia Lopes disse...

A poesia é assim mesmo né Múcio, ela nos acompanha no dia a dia, traduz nossas dores ou alegrias, nos revela pro mundo e, nos faz uma estranha irmandade.
Afinal, tudo isso é poesia.
bjs

Tudo que queria te dizer disse...

Tua fã pra sempre!

Juℓi Ribeiro disse...

Múcio:

Lindo!

Como tudo o que escreves...
Tua emoção, sensibilidade
e teu imenso talento.
Beijo.

Bob Marinho disse...

biiiicho...
atravessei o mundo inteiro
e parei no meio

agora tô parado no meio
do mundo inteiro!

=oP

muito bom, a poesia
é brincar com a palavra
feito o mar com a maresia

Bob Marinho disse...

seguir-lhe-ei
=oP

neli araujo disse...

Múcio,

Já não sei como cheguei aqui...Hoje me detive e fiquei lendo teus escritos.

Muito bons todos!

Gosto do teu estilo!

Quando cheguei aqui, no teu "trem das onze e meia", não pude deixar de comentar que desejo que você não perca a alegria, jamais!

Continue escrevendo estas coisas lindas que encontrei por aqui!

Um abraço,

Neli